Há cerca de cinco anos, enquanto ouvia um astrólogo interpretar o seu primeiro mapa do céu, a economista e arte educadora Carolina Consentino, de 34 anos, passou a ter certeza de que existia muito mais entre o céu e a terra do que o homem consegue explicar. Desde então, ela começou uma verdadeira peregrinação para entender o que está escrito entre astros, estrelas e planetas do nosso universo, que influenciam a vida das pessoas por aqui. É desta forma que a pernambucana junta-se ao coro de estudantes de astrologia que muitas vezes decidem deixar de lado um curso superior e uma carreira tradicional para se dedicar a esta actividade, que ainda não é reconhecida como profissão no país e sofre com o preconceito de boa parte da sociedade, mas que atrai olhares de estudiosos e pesquisadores em busca de uma sabedoria além da ciência cartesiana.
"Quando fiz o meu mapa procurando adquirir autoconhecimento, constatei diversas coisas que aconteciam comigo e fiquei muito interessada em aprender mais sobre o assunto", conta Carolina, que em 2009 fez o primeiro curso de iniciação ao tema numa respeitada escola do Recife e que espera em 2010 continuar os estudos na área, que duram em torno de quatro a seis anos. Como parte de suas primeiras pesquisas, ela participa nesta quarta-feira como ouvinte do 29º Stellium, uma espécie de encontro anual das tendências para o planeta, realizado gratuitamente por Eduardo Maia, conhecido astrólogo recifense, no Teatro do Parque, às 20h, neste ano com o tema " A invasão da criatividade: senha inválida?". Além de ser o dia dos astrólogos, a data não poderia ser mais conveniente por comemorar também o dia dos Três Reis Magos, sábios que, segundo a Bíblia, teriam sido os únicos a levar presentes para o nascimento de Jesus Cristo - sabendo que aquele não se tratava de um bebé qualquer.
Confundidos muitas vezes com videntes, os astrólogos actuam, na verdade, como guias e conselheiros da sociedade. "As pessoas acham que a nossa função é fazer horóscopos, o que é um equívoco. Trabalhamos investigando o céu e apresentando isso, seja na perspectiva de um cliente, de uma empresa ou de uma região", explica a pesquisadora pernambucana Ângela Brainer, proprietária da escola Luzes do Céu, na Zona Norte do Recife e voltada para a técnica.
Basicamente, os astrólogos procuram ler e entender o movimento dos astros. Para eles, isso permite refletir sobre as mais diversas situações mundanas - mostrando desde a personalidade de uma pessoa até as tendências de um determinado empreendimento ou relação humana. Para isso, porém, é necessário estudar a técnica de astronomia e mitologia, além de saber cálculo, teologia e outros conhecimentos, que permitam entender melhor cada uma destas possíveis interpretações.
Profissão - A actividade de astrólogo é reconhecida pelo Ministério do Trabalho há anos. A classe tentou regulamentar a profissão na última década, mas acabou sendo derrotada em 2008 - o que enfraqueceu alguns sindicatos, como Sindicato dos Astrólogos de Pernambuco (Sinaspe), actualmente sem funcionar. A situação, no entanto, não parece fazer diferença para quem vivia do cálculo e da leitura de mapas do céu ou para quem está interessado em aprender a técnica, já que não é necessário ter diploma formal para actuar na área. "A formação não é fundamental, mas indico a todos que desejam exercer a atividade nos dias de hoje", aconselha Eduardo Maia, que desde a década de 70 é reconhecido em diversos estados, inclusive por famosos, como o ex-prefeito do Recife João Paulo, exigindo uma lista de espera em torno de um ano para fazer o mapa do céu de um novo cliente.
Artigo: Ângela Brainer, da Luzes do Céu